Rumo ao Desmatamento Zero

O nosso Compromisso e Roteiro para o Não Desmatamento, aqui apresentado, é parte de uma estrutura mais abrangente, o Posicionamento Global de Sustentabilidade.

Acreditamos que a busca pelo desenvolvimento sustentável é um dos pontos mais importantes para a perenidade de nosso negócio e, por isso, a sustentabilidade deve permear todo o nosso processo de gestão, operações e cadeia de valor. O desenvolvimento sustentável é um dos maiores desafios da sociedade, e também uma de suas maiores responsabilidades frente a futuras gerações.

A resposta a este desafio está em uma agricultura sustentável, que reconhece a complexa estrutura da cadeia produtiva de alimentos, mas sabe que é possível ser mais produtivo e agregar valor, sem deixar de preservar os recursos naturais e respeitar o meio ambiente e ainda contribuir para o desenvolvimento das comunidades locais e da sociedade.

Neste compromisso reafirmamos nosso desejo de alcançar uma cadeia de fornecimento livre de desmatamento e declaramos que iremos trabalhar em conjunto com nossos fornecedores, clientes, sociedade civil e governos para alcançar este resultado no tempo mais breve possível.

O nosso compromisso para o não desmatamento deve ser analisado de forma integrada com os nossos compromissos institucionais e demais políticas. Além disso, devido aos impactos sociais, ambientais e econômicos do desmatamento, também incluímos e/ou reforçamos neste documento, os nossos compromissos de (i) exigir o cumprimento das leis locais vinculadas a questões florestais e apoiar o fortalecimento da atuação governamental para garantir sua implantação e governança, (ii) respeitar e proteger os direitos humanos, em especial a comunidades locais e indígenas, (iii) promover soluções de proteção, conservação e recuperação de áreas de alto valor de conservação e importantes para a manutenção da biodiversidade e gestão de carbono, (iv) melhorar continuamente a rastreabilidade e transparência de nossas cadeias de fornecimento, dentro do previsto em lei e preservando informações estratégicas, e (v) respeitar o direito de uso da terra, incluindo o princípio de consentimento livre, prévio e informado.

Em que acreditamos?

O Código Florestal Brasileiro (CF) tem um papel fundamental no processo de regularização do uso da terra no Brasil e na melhoria da gestão ambiental, através de novas ferramentas como o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e o Programa de Regularização Ambiental (PRA). A implementação e o sucesso do CF dependem da atuação conjunta do setor privado, produtores, governos e sociedade civil.

A Governança Ambiental do Brasil se desenvolveu muito na última década e vemos uma atuação forte de continuar esse processo de melhoria nos próximos anos. Dentre algumas ferramentas de governança implantadas pelo governo brasileiro podemos destacar: o sistema de detecção de desmatamentos e incêndios em tempo real, a lista de áreas embargadas do IBAMA, o aumento e maior estrutura de fiscalização e criação de novas unidades de conservação.

Ainda que a legislação ambiental brasileira seja muito robusta e exigente, sabemos que existem desafios na implantação e conformidade com a mesma. E exatamente por isso, a implementação e o sucesso do Código Florestal são agentes fundamentais para que qualquer compromisso de redução ou eliminação de desmatamento seja alcançado.

No entanto, somente a implantação do Código Florestal não proporcionará o resultado esperado de se ter uma cadeia de fornecimento livre de desmatamento. Será necessário trabalhar em atividades, programas e iniciativas paralelas tais como certificações, abordagens jurisdicionais, pagamentos por serviços ambientais, entre outras para que se crie um arcabouço estrutural que apoie o produtor em seu processo de regularização e proporcione benefícios para o desenvolvimento de um ambiente florestal positivo.

Ter uma cadeia livre de desmatamento não é a mesma coisa que alcançar a eliminação total do desmatamento de uma região ou país. A eliminação total do desmatamento de uma região ou país somente será alcançado quando todos os setores produtivos, todas as esferas governamentais, as organizações da sociedade civil, todas as empresas de algum elo das cadeias de alimento, agricultura, pecuária e florestas, as instituições financeiras, os consumidores trabalharem juntos pelo mesmo objetivo.

Com uma definição de sucesso alcançado, será necessário definir estas etapas e avaliar os desafios, as oportunidades, os riscos, os impactos e as concessões ambientais, sociais e econômicas necessárias para que esta agenda avance e se concretize.

Ainda assim, mesmo sabendo que o resultado maior somente será alcançado pelo trabalho conjunto, nós trabalharemos arduamente para alcançar uma cadeia de fornecimento livre de desmatamento na AMAGGI o mais breve possível.

O que já estamos fazendo?

Na cadeia de fornecimento

A AMAGGI possui princípios mínimos para 100% da comercialização com os produtores de grãos, em que estabelece: (i) veto aos produtores que constem na lista suja do trabalho escravo do Ministério do Trabalho e Emprego, (ii) veto às áreas embargadas pelo Ibama por desmatamento; (iii) veto às áreas incidentes em terras indígenas e unidades de conservação, (iv) veto às áreas desmatadas dentro do bioma amazônico após julho de 2008 – Moratória da Soja.

Para a AMAGGI as certificações são ferramentas que além de atestar o compromisso com a produção responsável em sua produção própria e da cadeia produtiva, também são um importante instrumento de gestão produtiva, social e ambiental. Em 2016, a empresa certificou 213 mil toneladas de A.R.S (Amaggi Responsible Soy Standard), 822 mil toneladas de soja RTRS e quase 1 milhão de toneladas de soja ProTerra. Considerando que as certificações ProTerra e RTRS juntas correspondem a 2,2% (6,93 milhões de toneladas) da soja produzida no mundo, podemos dizer que a AMAGGI é responsável por 26% da soja certificada no mundo por estes dois padrões de certificação.

Desenvolvemos e lançamos também o Amaggi Responsible Soy Standard (A.R.S.) que tem o objetivo de estabelecer critérios mínimos de entrada para uma certificação aos produtores e trabalhar a cultura de gestão socioambiental junto aos mesmos.

Em parcerias e iniciativas

A AMAGGI participou do processo de criação e desenvolvimento da Moratória da Soja e atua efetivamente nas reuniões do Grupo de Trabalho da Soja (GTS), formado pelas empresas associadas à ABIOVE e à ANEC, pelo Ministério do Meio Ambiente, pelo Banco do Brasil e por organizações da sociedade civil. A eficácia da Moratória da Soja é reconhecida internacionalmente e os impactos positivos desse acordo estão relatados em diversos estudos científicos.

Apoiamos e estamos expandindo nosso escopo de atuação junto ao Soja Plus, programa organizado pela ABIOVE e pela Associação dos Produtores de Soja e Milho do Mato Grosso (Aprosoja), que tem por objetivo gerar um processo de melhoria gradativa e contínua dos aspectos ambientais, sociais e econômicos da produção a partir de uma melhor gestão da propriedade rural.

Aderimos à Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, uma coalizão multissetorial formada para promover e propor políticas públicas, ações e mecanismos financeiro/econômicos para o estímulo à agricultura, pecuária e economia florestal que impulsionem o Brasil para liderança global da economia sustentável e de baixo carbono.

Em parceria com o Earth Innovation Institute estamos buscando soluções inovadoras de desenvolvimento rural capazes de manter ecossistemas de florestas tropicais saudáveis, além de estarmos trabalhando no desenvolvimento do Sistema de Desempenho Territorial (TPS) para monitorar e proporcionar maior transparência sobre nossa cadeia de fornecimento.

Temos o orgulho de ter acompanhado a criação e participado desde o início das atividades desenvolvidas pela Aliança da Terra, uma organização não governamental criada por produtores rurais com o objetivo de promover o desenvolvimento de uma produção sustentável. Além disso, a cada ano, fortalecemos a nossa parceria em projetos que incentivam a produção responsável em nossa cadeia produtiva através de um processo de apoio e acompanhamento do produtor no atendimento a diversos indicadores de boas práticas agrícolas e socioambientais.

Desde 2004 a AMAGGI possui uma cooperação técnico científica com o IPAM para o Experimento Savanização e boas práticas na agropecuária de Mato Grosso em sua Fazenda Tanguro, localizada em Querência – MT. Esta cooperação visa a realização de estudos científicos voltados à identificação e promoção de práticas de manejo de paisagem que permitam o desenvolvimento de sistemas agrícolas mais sustentáveis. Além disso, também é parceira no projeto Paisagens Sustentáveis que visa fortalecer a governança socioambiental, apoiar a criação de um fórum multissetorial e avaliar a promover cadeias produtivas para pequenos produtores no município de Querência.

Numa parceria com a The Nature Conservancy – TNC que se estende há anos, a AMAGGI apoia a melhoria do desempenho ambiental de produtores rurais de Mato Grosso. A iniciativa atualmente tem foco principal no fortalecimento da agenda pós-CAR (Cadastro Ambiental Rural) na região do Alto Teles Pires em Mato Grosso com projetos de restauração de APPs e mapeamento de municípios por meio do cadastro socioambiental.

A AMAGGI participou da criação e é membro efetivo do Comitê Estadual da ESTRATÉGIA: PRODUZIR, CONSERVAR E INCLUIR lançada pelo Governo de Mato Grosso em parceria com diversas instituições durante a Conferência das Partes (COP) da Convenção do Clima das Nações Unidas em 2015. Uma estratégia ambiciosa que tem como alguns destaques os objetivos de eliminar o desmatamento ilegal no estado até 2020; substituir 6 milhões de hectares de pastagens degradadas por cultivos de alta produtividade até 2030; recompor 1 milhão de hectares (100%) das APP degradas até 2030; conservar a área nativa do estado, hoje estimada em 60% de seu território; e a inclusão socioeconômica de 100 mil famílias na estrutura de agricultura familiar com a devida assistência técnica.