Mudanças climáticas

Engajada no debate sobre o tema, a AMAGGI vem evoluindo em seu Programa de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas, que envolve todas as suas áreas de negócio, cada qual com seus riscos e oportunidades.



Assim, o primeiro passo para estabelecimento de metas de redução e projetos de adaptação é identificar as oportunidades e desafios através do inventário de emissão, bem como conhecimento profundo do impacto das mudanças climáticas no negócio.

Para isso, em 2013, a AMAGGI deu um dos passos mais importantes na gestão de suas emissões, participando do projeto piloto de aprimoramento da metodologia do GHG Protocol Agrícola, para cálculo das emissões de gases de efeito estufa. A companhia se estabeleceu, assim, como pioneira no uso da ferramenta para o setor agrícola.

Desde então, a empresa atualiza anualmente seu inventário de emissões. A partir de 2015, o documento passou a ser submetido à verificação de um organismo acreditado, recebendo o Selo Ouro do GHG Protocol. O inventário contempla todas as emissões das atividades administrativas, agrícolas, de portos, fábricas, armazéns, e ainda as de geração de energia. Considera todas as emissões de combustão estacionária e móvel, emissões fugitivas, efluentes, emissões agrícolas pelo uso de fertilizantes nitrogenados, cal e ureia, consumo de energia elétrica, distribuição logística e viagens aéreas a negócios.

Abaixo são apresentados o comparativo das emissões de 2015 x 2016, sendo que os dados de 2015 sofreram ajustes e serão submetidos ao GHG para atualização no Registro Público de Emissões. Em 2016 houve atualização de metodologia referente à contabilização de emissões agrícolas e mudanças no uso do solo, além da inserção de novos escopos para a contabilização de emissões, como o reflorestamento para produção de biomassa e novas rotas logísticas.


Emissões de gases de efeito estufa (tCO2e)





As principais variações de 2015 para 2016 se referem ao aumento de 47% no consumo de fertilizantes na produção de soja e algodão; à redução de 16% no consumo de energia no esmagamento de grãos das fábricas de Itacoatiara e Lucas do Rio Verde; e à redução das emissões no transporte rodoviário e ferroviário em 35%, mesmo com a inclusão das emissões do transporte de fertilizantes e algodão.

Os detalhes e justificativas de variações de cada escopo (1, 2 e 3), bem como das emissões e remoções (sequestro de carbono) biogênicas podem ser acessadas nos links abaixo.

Em 2016, a área de plantio de algodão da AMAGGI aumentou em 20 mil ha, em relação a 2015, o que elevou o consumo de fertilizantes e ureia, provocando um crescimento das emissões de 106.381 tCO2e para 217.532 tCO2e nessa atividade, no último ano. As emissões associadas ao plantio de eucalipto para biomassa e o uso de braquiária na entressafra representaram em 2016 a emissão de 1.131 tCO2e.

Já a quantidade de calcário utilizada em 2016 diminuiu em torno de 38%, visto que em 2015 houve o preparo de uma nova área de plantio – a fazenda Vale do Araguaia. Normalmente esse insumo é utilizado em grande escala a cada três anos, fazendo-se anualmente apenas a correção no solo; por esse motivo, a variação de emissões relacionadas a ele deve ser avaliada em ciclos de médio prazo (três a cinco anos).
Não houve variação no consumo total de energia elétrica da AMAGGI, de 2015 para 2016 (respectivamente, 80.553 MWh e 79.907 MWh). Embora a AMAGGI Agro tenha apresentado um aumento de 20% nesse consumo, devido ao início da operação da nova algodoeira de Sapezal, ele foi compensado pela redução de 50% do consumo nas fábricas, devido ao menor volume de soja esmagada. Cabe indicar que o fator de emissão da energia elétrica do Sistema Interligado Nacional reduziu em 34%, o que contribuiu para a redução das emissões totais em 17%.

Seis unidades da companhia utilizam energia elétrica produzida nas pequenas centrais hidrelétricas da AMAGGI, e em 2016 novas unidades também passaram a consumir dessa energia: Tanguro, Tucunaré e Itamarati (algodoeira e secador) e a algodoeira de Sapezal. A energia gerada pelas pequenas centrais hidrelétricas da companhia é adicionada ao Sistema Interligado Nacional; sendo uma ligação direta, é necessário considerar o fator de emissão calculado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTI). A quantidade de energia renovável inserida no grid brasileiro em 2016 pelas centrais da companhia foi de 56.170 MWh, ou 202.214 GJ, o equivalente a um aumento de 51% em relação a 2015, representando 70% de todo o consumo da empresa por geração própria de energia renovável.
Em 2016, a AMAGGI incluiu no cálculo de emissões do transporte da soja a rota ferroviária para o porto de Itaqui, além de incorporar as rotas logísticas do algodão e dos fertilizantes. Porém, a redução do volume originado de grãos, que entre 2015 e 2016 caiu de 8.044.000 t para 6.400.000 t, provocou também uma redução das emissões nesse período, que passaram de 540.935 tCO2e para 351.249 tCO2e.

A AMAGGI Agro apresentou um aumento das emissões de 164.780 tCO2e, em 2015, para 260.576 tCO2e, em 2016, principalmente devido ao aumento do consumo de fertilizantes NPK no plantio de soja, milho e algodão.
As emissões biogênicas são aquelas oriundas da combustão de biomassa (como o eucalipto ou as cascas de soja e de arroz) e de biocombustíveis (como o etanol ou o biodiesel de cana-de-açúcar e outras fontes). Essas biomassas provêm de um ciclo biológico curto, e suas emissões são consideradas neutras, pois o CO2 liberado na atmosfera durante sua queima é equivalente àquele retirado da atmosfera durante o processo de fotossíntese ao longo do período de crescimento da planta.

A utilização desses combustíveis renováveis revela o comprometimento da AMAGGI com a sustentabilidade, já que eles substituem os combustíveis de origem fóssil. A utilização dos combustíveis renováveis pela AMAGGI, em 2016, evitou a queima de 143,64 milhões de litros de óleo diesel.

O aumento das emissões biogênicas da companhia em 2016, em relação a 2015, justifica-se principalmente pela utilização do pó de serra em substituição ao cavaco de madeira nativa como biomassa na fábrica de Lucas do Rio Verde. Os benefícios desta substituição são apresentados nas ações da AMAGGI Commodities.
Neste escopo, calcula-se o estoque de carbono sequestrado e que poderá ser novamente emitido para a atmosfera. Ele fica disponível na biomassa acima e abaixo do solo, bem como na matéria orgânica em decomposição. A variação nesse estoque representa o fluxo de carbono: pode haver um aumento de estoque, pela remoção de carbono da atmosfera, ou sua redução, em decorrência de emissões para a atmosfera.

Na metodologia utilizada até 2015 para contabilizar as remoções biogênicas, consideravam-se as técnicas utilizadas na área agrícola (plantio direto, plantio convencional, pastagem convencional etc.), às quais se associam diferentes emissões/remoções de carbono. Na contabilização de 2016, utilizou-se a nota técnica do GHG Agrícola “Uso do GHG Protocol Agricultural Guidance e contabilização de emissões resultantes das práticas agrícolas e de mudanças no uso do solo – versão 2.0”.

Os dados de monitoramento de matéria orgânica do solo foram utilizados para calcular o aumento de estoque de carbono no solo em função das técnicas de plantio direto, que consistem em manter a palhada na área pós-colheita para cobertura e proteção do solo. Também foram contabilizadas as variações de estoque de eucalipto plantado e de seringueiras, bem como as remoções de carbono pelas áreas preservadas de floresta nativa das fazendas, conforme quadro abaixo.

Em parceria com o GVces, na iniciativa TeSE, a AMAGGI, por meio da metodologia para valoração dos serviços ecossistêmicos (Devese 2.0), realizou o estudo nomeado “Quantificação do serviço ecossistêmico de regulação do clima global decorrente de ações de preservação de áreas nativas voluntárias e de cumprimento da legislação brasileira”. O estudo concluiu que, por meio da preservação das áreas de floresta nativa total mantidas pela empresa, evitou-se em um ano a emissão de aproximadamente 57 mil tCO2e. Para a valoração dessa externalidade, utilizou-se o Custo Social do Carbono (CSC) – o qual considera os custos estimados dos prováveis impactos da adição de uma tonelada de carbono na atmosfera – e chegou-se a um valor de aproximadamente R$ 7 milhões no ano. Ou seja, um valor aproximado dos custos que deixariam de ser gastos com compensação por impactos nocivos das mudanças climáticas sobre a sociedade caso tais áreas fossem desmatadas.

Considerando a representatividade brasileira em termos de agronegócio, a AMAGGI entende que é importante quantificar as externalidades das ações de preservação de florestas nativas, sejam elas voluntárias ou de cumprimento legal, que geram impactos positivos em termos de regulação do clima global. Isso porque a empresa entende que a preservação, mesmo que obrigatória, presta um benefício à sociedade, e isso deve se configurar como um diferencial competitivo de comércio internacional.

Na implantação das pequenas centrais hidrelétricas Divisa, Segredo e Ilha Comprida, localizadas na cidade de Sapezal, desenvolveu-se uma estratégia de projeto de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que proporcionou a geração de créditos de carbono de 106.560 tCO2e. Esses créditos continuam em posse da AMAGGI e disponíveis para comercialização, quando oportuno. Mais informações sobre os projetos estão disponíveis no site da United Nations Framework Convention on Climate Change (UNFCC), projetos 9540, 10047 e 10022.

Programa de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas

Conhecido e analisado o inventário de emissões, inicia-se uma análise do impacto das mudanças climáticas nas atividades da AMAGGI, desde a produção agropecuária à geração de energia, passando pelas operações fluviais e distribuição.

Assim, entendendo como suas operações causam impactos para o clima, tanto positivos – pela preservação de áreas de florestas –, quanto negativos – pela emissão dos gases de efeito estufa de suas operações e na cadeia de valor –; e também como as mudanças climáticas influenciam as atividades da AMAGGI, a empresa estabeleceu os seguintes planos, ações e compromissos:


Plano de redução das emissões

Como a companhia está em expansão – ilustrada pelo aumento do número de armazéns, crescimento da capacidade na fábrica de Lucas do Rio Verde, e maior escoamento de grãos –, suas emissões absolutas deverão ter um aumento orgânico.

Assim, após avaliação dos resultados dos inventários dos anos anteriores e as projeções das emissões de gases de efeito estufa para 2025, com as variáveis de crescimento e eficiência nas diferentes unidades de negócio, a AMAGGI, por meio de iniciativas de melhoria de eficiência nas operações, vislumbra reduzir em 5% suas emissões relativas de gases de efeito estufa até 2025, em relação à 2015 (Escopo 1 do inventário do GHG Protocol).

Este número está sendo trabalhado em ações e projetos nas divisões de negócio da empresa, levando em conta as emissões mais relevantes e impactantes para o negócio.

Importante frisar, no entanto, que as premissas e metodologias de cálculo do inventário de emissões vêm sendo aprimoradas todo ano, especialmente, pelo GHG Protocol Agrícola. Assim, o compromisso de redução da AMAGGI pode ser fortalecido ou modificado, à medida que se tenha uma melhor compreensão das emissões mais impactantes e também de uma maior quantidade de dados, que servirão como insumos na melhoria da fundamentação técnica do cálculo de emissões.

De qualquer modo, a premissa da empresa é que suas metas estejam sempre atreladas a seu objetivo, que é garantir uma gestão de carbono eficiente nas operações e na cadeia de valor, com o menor impacto negativo possível e a maximização dos impactos positivos.

Conheça as ações de eficiência estratégica e operacional de cada divisão de negócio da AMAGGI para mitigação das emissões e contribuição para atingimento da meta de redução, clicando aqui.

A AMAGGI Commodities trabalhou intensamente na melhoria da eficiência dos secadores e aeradores, realizando ajustes nos equipamentos para melhorar a queima da biomassa, aeração dos silos e armazéns, além de adequações no armazenamento da biomassa para aumentar a qualidade da madeira e prolongar sua vida útil. Como exemplo, pode-se citar a automatização, em 2016, do armazém de Sinop, onde foi instalado um sistema inteligente para monitoramento da temperatura e umidade, que trará economia de energia a partir de 2017.

No último ano, a AMAGGI Commodities também implementou dois grandes projetos com impacto em redução de emissões de GEE em suas indústrias: Redução no Consumo de Energia Elétrica, na unidade de Itacoatiara, e Utilização Sustentável de Fonte Alternativa de Energia, na unidade de Lucas do Rio Verde.

O primeiro deles consistiu na substituição de equipamentos do sistema de exaustão e ventilação da caldeira. Com a iniciativa, o sistema deixou de ficar ligado em potência total, utilizando somente a potência necessária. O projeto reduziu o consumo de energia elétrica, vapor e biomassa, totalizando uma economia de R$ 340 mil/ano, contribuindo na redução das emissões atmosféricas em 143,5 tCO2e/ano.

A alteração no processo da caldeira da fábrica de Itacoatiara economizou R$ 340 mil/ano e deixou de emitir 143,5 tCO2e/ano.


Já o segundo projeto, desenvolvido na fábrica de Lucas do Rio Verde, permitiu que a unidade passasse a utilizar como combustível para sua caldeira também o pó de serra. O pó de serra normalmente é um resíduo descartado por serrarias, com impacto negativo ao meio ambiente. Após sucessivos testes e ajustes na caldeira, foi possível utilizá-lo como biomassa, permitindo a compra pela empresa desse subproduto das madeireiras como fonte alternativa de energia.

O projeto trouxe benefício mútuo para a unidade e o fornecedor, fortalecendo o papel da companhia como gerador de valor aos seus stakeholders. O uso do novo insumo contribuiu na redução de custos do processo em torno de R$ 1,26 milhão, em 2015, e na preservação de 134 st de lenha. Além da melhoria da eficiência da caldeira, estima-se uma redução de aproximadamente 4.700 tCO2e emitidos.

A alteração no insumo para abastecimento da caldeira da fábrica de Lucas do Rio Verde impulsionou uma nova fonte alternativa de combustível, o que permitiu evitar o uso de 134 mil st de lenha e a emissão de 4.700 tCO2e no escopo 1.

A AMAGGI Agro investe intensamente em diferentes táticas para a eficiência operacional. Uma delas é o projeto Telemeclima, que permite fazer a gestão do ambiente no momento das atividades em campo, por meio de estações meteorológicas instaladas em pontos estratégicos da lavoura. Com um investimento de aproximadamente R$ 250 mil até o momento, o projeto proporciona maior precisão da previsão meteorológica local. O projeto contou também com a instalação de chips nos veículos agrícolas, permitindo o monitoramento on-line da velocidade e dos trajetos do veículo, trazendo maior eficiência no consumo dos defensivos e de combustível.

Uma importante iniciativa empreendida pela AMAGGI Agro foi a renovação, nos últimos anos, da frota de veículos agrícolas composta por um modal de larga escala, com equipamentos que abrangem maior área, otimizando a eficiência e o tempo de trabalho em campo. Já foi apurada uma economia de 26% no consumo de combustível na etapa de plantio, desde a safra 2009/2010 até a safra 2016/2017 e um aumento de 110% no rendimento operacional no mesmo período.

Com essas ações, a AMAGGI Agro atinge melhor rendimento, com menor uso de combustível, maior eficiência e maior assertividade em suas operações.
A utilização de energia elétrica proveniente das pequenas centrais hidrelétricas do grupo por fazendas, armazéns e a matriz, gerou uma economia no mercado livre de mais de R$ 2,8 milhões (antes de impostos), em 2016.

Para 2017, está sendo estudada a entrada de outras unidades para o mercado livre.
Para viabilizar o transporte dos grãos produzidos em suas unidades em Mato Grosso até o porto de Itacoatiara, de onde são exportados, a AMAGGI investe na diversificação de modais logísticos: a partir de Porto Velho, a companhia substitui as carretas rodoviárias por barcaças que seguem pelo rio Madeira até o porto. Na hidrovia, cada comboio de 20 barcaças transporta o equivalente à carga de mil caminhões graneleiros.

Além de aliviar o fluxo das estradas e agregar eficiência ao negócio, o transporte hidroviário é mais sustentável: segundo estudo realizado para o cálculo da Pegada de Carbono do Milho em 2015, conforme o GHG Protocol e em parceria com a Pangea Capital, a emissão de gases de efeito estufa do transporte fluvial (0,014 tCO2e/t milho) é 90% menor que a emissão do transporte rodoviário (0,15 tCO2e/t milho). Isso sem contar os trechos em que o transporte ferroviário é adotado, nos quais a emissão é 99% menor, de acordo com o mesmo estudo.

Para mais informações, clique aqui.

Em 2014 a AMAGGI Logística iniciou um projeto de automatização, que consiste na adoção de um equipamento eletrônico que recolhe informações em tempo real de sensores de bordo instalados nas embarcações (motores, gerador, tanques etc.) e as transmite para uma central de comando, que as traduz em informações visuais e alarmes. O sistema trouxe grandes resultados na eficiência do uso dos combustíveis nas embarcações.

Outros benefícios importantes do sistema são a proteção do motor automático, o qual desliga se algum parâmetro atingir um valor crítico pré-programado, e a análise do Banco de Dados Significante, que calcula o consumo médio de combustível das embarcações durante todo o ano, servindo de base para a elaboração de um orçamento mais exato e eficiente.

De 2013 para 2016, a eficiência das embarcações passou de 5,61 litros de combustível por tonelada transportada para 4,47 l/t, o que representou um ganho médio de eficiência de 13% no consumo de combustível por tonelada transportada, contribuindo também para a redução das emissões de gases de efeito estufa.




Planos de adaptação às mudanças climáticas EC2

Em relação aos riscos climáticos, a AMAGGI estabelece ações ou planos de adaptação para que suas operações tenham perenidade e os impactos na operação sejam minimizados.

Assim, em 2015, a companhia iniciou um projeto piloto no estudo do processo de produção de sementes, utilizando a Ferramenta de Adaptação às Mudanças Climáticas desenvolvida pelo GVCes, na Plataforma Empresas Pelo Clima (EPC). Em 2016, o estudo foi ampliado para a AMAGGI Agro, e a mesma metodologia foi implementada na AMAGGI Logística, já que as atividades dessas áreas de negócio sofrem influências diretas do clima.

Em 2016, diversas reuniões com os responsáveis das áreas foram realizadas, a fim de debater e mensurar, com a ajuda da ferramenta de riscos e impactos, as atividades e ações da companhia em curto, médio e longo prazo, bem como as influências das mudanças climáticas sobre as operações. Abaixo são apresentados os resultados da identificação dos riscos e dos planos de adaptação implementados pela AMAGGI em suas operações e na cadeia de valor.

A atividade agrícola é altamente dependente de fatores climáticos: alterações na umidade e na temperatura do ar, bem como o aumento de inundações ou secas prolongadas, ou ainda, mudança no regime de chuvas (veranico), por exemplo, pode afetar significativamente a produtividade das safras, reduzir a capacidade do escoamento da produção, provocar perda de investimentos e infraestruturas, bem como aumento de custos diretos e indiretos e dos preços dos alimentos. Tudo isso pode afetar o equilíbrio do mercado, trazendo riscos para o negócio e até mesmo para a segurança alimentar.

Como forma de se adaptar a esses diferentes cenários climáticos e suas consequências, a AMAGGI Agro utiliza diversas técnicas e controles na lavoura, como:

Monitoramento do clima para realizar o plantio e a colheita na melhor época;

Uso da técnica de plantio direto, que não revolve o solo e aumenta a fixação de carbono nele;

Utilização de braquiária e outras coberturas na entressafra para reduzir a exposição do solo, mantendo sua qualidade física, química e biológica, além de aumentar a resistência às condições climáticas adversas e também a biodiversidade do solo;

Recuperação de áreas degradadas, por exemplo, por meio do plantio de estilosantes (leguminosa forrageira), que melhoram a qualidade do solo;

Integração lavoura-pecuária.


Na Fazenda Itamarati, no município de Campo Novo dos Parecis, um projeto piloto de integração entre lavoura e pecuária foi iniciado em 2013, em uma área de 240 ha. Devido à qualidade do solo, nessas áreas não era possível plantar a segunda safra, então foi iniciado o experimento de plantio da Brachiaria rozizienses. O projeto foi expandido para outras áreas de pastagem, abrangendo atualmente 840 ha. Seus primeiros resultados mostram uma queda nos custos de produção, menor uso de defensivos agrícolas e fertilizantes, e incremento de produtividade de 60% a 70%. Percebe-se uma melhoria no perfil do solo, com elevação do enraizamento e da biodiversidade, e redução de inimigos naturais.



A AMAGGI utiliza o manejo integrado de pragas em todas as suas fazendas, conforme recomendação de pesquisas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para grãos e sementes, e conforme compromisso com as certificações socioambientais implantadas nas áreas. Essas técnicas utilizadas para o controle de pragas minimizam o consumo de defensivos agrícolas, que têm impacto direto no Escopo 3 do Inventário de Gases de Efeito Estufa da AMAGGI. Em 2016, a AMAGGI iniciou um projeto piloto na Fazenda Tucunaré com a técnica do controle biológico. Existem áreas em que o controle de lagartas por meio de defensivos foi integralmente substituído pelo controle biológico, com bons resultados.

A companhia continua suas pesquisas com novos cultivares, com tecnologia adaptada às novas condições climáticas e pragas, para diminuir, inclusive, o número de aplicações de defensivos agrícolas, além de buscar a utilização daqueles que se mostrem mais eficientes.

Em relação ao beneficiamento da semente, a empresa tem investido no melhoramento das tecnologias de armazenagem de semente em câmaras frias, com o intuito de garantir a qualidade do produto para as safras seguintes.

A AMAGGI tem participado dos comitês que discutem o uso de biotecnologias e defensivos agrícolas, além de estabelecer parcerias com instituições como Ipam, Embrapa e Emater. Essa postura é fundamental para a implantação de ações que irão garantir a adaptação das operações da AMAGGI Agro às mudanças climáticas.

Como a AMAGGI adquire também grãos de produtores parceiros, muito importante os trabalhos realizados junto a sua cadeia de fornecimento, pois as mudanças climáticas podem influenciar diretamente a disponibilidade de grãos no mercado.

Assim, para apoiar o produtor rural na manutenção e melhoria da sua produtividade, é realizado o Circuito Tecnológico – ação promovida pela AMAGGI em parceria com os produtores de biotecnologia para prover, aos produtores rurais da região em que a companhia atua, acesso a defensivos agrícolas e sementes adequados. São repassadas informações importantes sobre o correto manejo desses insumos, para reduzir o impacto ambiental, aumentar a segurança dos trabalhadores e a produtividade da lavoura. As certificações socioambientais A.R.S., Proterra e RTRS também cumprem um papel significativo, pois em sua implementação são adotados importantes controles para apoiar a eficiência de gestão, operacional, social e ambiental das fazendas produtoras.

Em relação a sua operação própria, a etapa de armazenamento de grãos da AMAGGI Commodities é influenciada pelo clima, já que a elevação de temperatura exige maior acionamento dos ventiladores dos armazéns – o que pode aumentar os gastos com energia e biomassa. Além disso, a chuva pode prejudicar os estoques de biomassa, uma vez que quanto mais úmida esta estiver, maior quantidade dela é necessária para a secagem de grãos, razão pela qual a maioria dos armazéns passou a cobrir seus estoques com lonas. Por outro lado, a chuva minimiza a poeira dos pátios e irriga o gramado, dispensando o uso de água subterrânea.

Nas indústrias, durante os períodos de chuva intensa, eleva-se o consumo de biomassa e de energia. Em 2017, a fábrica de Lucas do Rio Verde irá investir mais de R$ 800 mil para construir um barracão de armazenamento de biomassa, a fim de otimizar seu estoque e consumo.
O regime de chuvas impacta ainda as operações fluviais. A estiagem dificulta o transporte, com a formação de bancos de areia e o estreitamento dos canais de navegação, o que exige mais cuidados de segurança e reduz o volume de carga por barcaça. Já o período de cheia pode trazer riscos de carregamento, caso o nível do rio eleve-se excessivamente, podendo comprometer as estruturas do cais.

Para lidar com essas dificuldades, a AMAGGI busca estreitar relações com órgãos como a Agência Nacional de Águas (ANA) e o Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), acompanhando as informações divulgadas e trocando experiências técnicas, como um estudo realizado em 2016 para avaliar as influências de fluxo do rio Madeira. A companhia passou também a monitorar alguns índices fluviométricos, com o objetivo de aumentar a previsão, a viabilidade e a segurança de seu plano de carregamento e transporte. Foram ainda realizadas melhorias nas estruturas de carregamento das barcaças das unidades de Porto Velho, melhorias nas embarcações para o monitoramento da navegação, e a operação foi adaptada ao calado do rio, reduzindo o risco de acidentes e buscando mais eficiência frente a suas condições atuais de navegação.

Atenta a todos esses riscos e empenhada em gerenciá-los e melhorar sua produtividade, a AMAGGI tem investido na geração de conhecimento e em novas tecnologias. Ao identificar e mitigar esses riscos, a empresa aumenta sua eficiência operacional, transformando-os em vantagem competitiva e pioneirismo.




Pegada de Carbono dos produtos

A Pegada de Carbono, conhecida tecnicamente como Análise do Ciclo de Vida do Produto, apresenta as emissões de gases de efeito estufa de cada etapa da produção, desde a aquisição da matéria-prima até a entrega do produto ao cliente, envolvendo toda a cadeia de valor. Ela proporciona importantes informações para o gerenciamento das emissões internamente à companhia, bem como em seus fornecedores e clientes.

No cálculo da Pegada de Carbono da AMAGGI, foram consideradas as emissões e remoções das etapas de transporte dos insumos agrícolas; a produção e o consumo dos insumos agrícolas; a mudança do uso do solo; bem como a produção e o consumo de combustível e biomassa utilizados nos armazéns e no transporte da fazenda até o porto internacional.

A Pegada de Carbono da soja da AMAGGI foi calculada com base em dados de 2014, seguindo o padrão do ISCC.

Foi considerada a soja produzida nas fazendas da companhia, com saída pelos principais portos (Itacoatiara, Santos, Paranaguá, São Francisco e Belém), e os resultados foram comparados à média de mercado do Brasil (Mato Grosso), Canadá, Estados Unidos, Ucrânia e Argentina. Consideraram-se como destino da soja os portos de Fredrikstad, onde se encontra a Denofa, e Roterdã.

Principais resultados:

A logística marítima representa 55% das emissões de gases de efeito estufa, seguido por 34% das emissões com o cultivo.

A AMAGGI tem um dos menores consumos de diesel na produção agrícola, do grupo analisado, devido à escala das máquinas utilizadas e, por consequência, à sua produtividade.

A AMAGGI consome uma das menores quantidades de energia e fertilizantes nitrogenados do grupo de países, devido ao uso de altas tecnologias e boas práticas agrícolas.

A comparação mostrou que as operações de exportação da AMAGGI emitiram 14% a menos CO2e que a média das empresas no Brasil, e quase 20% a menos que a média dos Estados Unidos para a entrega de grãos no mesmo destino.

A Pegada de Carbono do milho da AMAGGI foi calculada com base em dados de 2015, seguindo o padrão do GHG Protocol, o “Product Life Cycle Accounting and Reporting Standard”.

Foi considerado o milho produzido nas fazendas da AMAGGI, com saída pelos principais portos (Itacoatiara, Santos, São Francisco e São Luís), e os resultados foram comparados à média de mercado do Brasil (Mato Grosso), Hungria, Estados Unidos, França e Ucrânia. Considerou-se como destino do milho o porto de Roterdã.

Principais resultados:

O modal logístico rodoviário no Brasil é um dos maiores impactos nas emissões de gases de efeito estufa, representando 57% das emissões.

A etapa agrícola possui a segunda maior emissão, representando 22%, seguida pela produção dos insumos agrícolas, com 17% das emissões da Pegada de Carbono do milho da AMAGGI.

No Brasil, o clima é propício para a manifestação de pragas, o que aumenta a demanda por defensivos. Essa demanda é menor em países com clima mais frio.

A média da produção brasileira e a Hungria apresentam as maiores emissões do grupo estudado, sendo 40% acima da AMAGGI.

A comparação final entre os países mostrou que a AMAGGI tem um desempenho equivalente ao da França, com as menores emissões totais do grupo estudado, e apresenta ainda a menor emissão na fase agrícola.