Combate ao desmatamento e proteção da biodiversidade
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Para realizar a expansão de suas áreas agrícolas, a AMAGGI privilegia a aquisição de propriedades já convertidas e consolidadas, e investe na recuperação dessas áreas, empreendendo análises não apenas fundiárias, mas também de todas as questões e obrigações legais ambientais. Assim, não realiza conversões de matas nativas para o uso agrícola, além de manter toda a sua produção agrícola fora dos limites de áreas protegidas. A integração entre lavoura e pecuária é uma estratégia de produção sustentável que a AMAGGI começou a adotar em 2013 em algumas propriedades onde integra atividades agrícolas, pecuárias e florestais, realizadas na mesma área em cultivo consorciado, contemplando a adequação ambiental, a valorização do homem e a viabilidade econômica. Todas as propriedades da companhia seguem em conformidade com o Código Florestal e demais legislações.

A AMAGGI conta ainda com 90.357,40 ha de áreas preservadas como reserva legal e área de preservação permanente. Desse total, 18.980,59 ha estão localizados no interior de parques estaduais (destinados à compensação ou à desoneração de reserva legal) e 71.376,81 ha são preservados em suas fazendas.

Em 2016, a AMAGGI continuou as atividades dos Planos de Recuperação de Áreas Degradadas em suas áreas de preservação, utilizando principalmente as técnicas de plantio direto das mudas e contribuição para a regeneração natural, já que algumas áreas conseguem uma boa resposta. Todos os planos são vistoriados pela equipe de Sustentabilidade, pelo menos duas vezes ao ano, determinando-se as instruções técnicas e as atividades a serem realizadas; em visitas posteriores, verifica-se a realização e a eficácia das atividades. A equipe elabora ainda relatórios anuais de acompanhamento, que são apresentados aos órgãos competentes.

Em 2016, entrou em fase de recuperação uma área de 5,22 ha, localizada onde foi construído o Terminal Portuário Privativo da AMAGGI, em Porto Velho. Essa recuperação faz parte de um total de 106,10 ha do terminal. A AMAGGI possui atualmente 290,80 ha de APPD em recuperação.

Cadeia Livre de Desmatamento

A AMAGGI vem trabalhando para ter uma cadeia de fornecimento livre de desmatamento, participando de iniciativas como a Moratória da Soja, que completou dez anos em 2016, e também é parceira do governo do Mato Grosso na Estratégia: Produzir, Conservar e Incluir (saiba mais no capítulo Parcerias e iniciativas). A companhia também investe na certificação socioambiental e no desenvolvimento de produtores rurais como uma das formas de estímulo à regularização ambiental e de combate ao desmatamento. Além disso, está aprimorando suas ferramentas de rastreabilidade e gestão de informações da cadeia, com a implantação da plataforma ORIGINAR – Originação AMAGGI Responsável, desenvolvida por meio da tecnologia Agrotools (saiba mais no capítulo Promoção da agricultura sustentável na cadeia de grãos).

“A Moratória foi – e ainda é – um instrumento muito importante de redução do desmatamento da Amazônia. Um de seus principais méritos foi ter juntado setores que há dez anos não conversavam, não dialogavam, e que hoje têm uma agenda conjunta de desenvolvimento sustentável”, comentou a diretora Juliana Lopes, da AMAGGI.

Para o futuro, a AMAGGI prevê investir ainda mais em ferramentas, práticas e iniciativas que visem ao fim do desmatamento, e irá trabalhar em conjunto com suas partes interessadas (stakeholders) para alcançar esse resultado no tempo mais breve possível. Assim que o Posicionamento Global de Sustentabilidade for lançado, será possível acompanhar as ações relacionadas a essa temática por meio de uma plataforma on-line (saiba mais no capítulo Posicionamento Global de Sustentabilidade e Plano 2025 AMAGGI).

Projeto Tanguro

Entre os vários estudos de fauna e flora realizados na Fazenda Tanguro, da AMAGGI, no município mato-grossense de Querência, está o maior e o mais longo experimento com fogo controlado em florestas tropicais do mundo. Ele analisa as consequências da transformação da paisagem e a fragmentação do habitat. O projeto científico foi iniciado em 2004, após parceria da AMAGGI com o Ipam, e reúne um grupo de cientistas e estudantes nacionais e internacionais, com o objetivo de investigar os impactos diretos da agricultura na biodiversidade, saúde das florestas, ambientes aquáticos e dinâmicas de nutrientes.

O trabalho, que ficou famoso por colocar fogo na floresta a fim de entender sua resiliência a esse elemento, também investiga o que acontece na temperatura, na umidade do ar, no fluxo de água e de gases de efeito estufa, no regime de chuvas, na capacidade da floresta lidar com o fogo e na biodiversidade, com as mudanças na paisagem.

Os dados analisados até o momento permitem concluir que florestas de transição afetadas pelo fogo tornam-se suscetíveis à invasão de gramíneas. Elas dificultam a regeneração natural da vegetação e servem de combustível extra para novas queimadas. Além disso, a mortalidade de árvores e cipós aumenta 80% e 120%, respectivamente, em relação à área que nunca foi queimada.

Até o momento, o projeto gerou 13 teses de doutorado, 10 dissertações de mestrado e 37 artigos em revistas científicas.